Prostituição e Exploração Sexual Infanto-juvenil
Não existem no governo e em nenhuma instituição privada ou do terceiro setor números
precisos sobre crianças que estejam se prostituindo no País. Segundo um relatório
sobre Prostituição Infantil produzido pela ONU, em 2001, o Brasil ocupa o primeiro
lugar em prostituição infanto-juvenil na América Latina e o segundo no mundo. São
mais de 500 mil meninas e meninos se prostituindo país afora. O assunto ganhou importância
na agenda do governo Lula e o presidente ordenou ao ministro da Justiça, Márcio
Thomaz Bastos, buscar soluções mais efetivas de combate ao problema. "Temos de utilizar
todos os meios para acabar com este tipo de comércio vil e hediondo", disse o ministro
em entrevista publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, no dia 7 de janeiro de
2003. Na entrevista ele também anunciou a criação de um grupo especial dentro de
seu ministério para atuar nesse tipo de trabalho. O jornal entrevistou ainda na
mesma matéria o secretário de Estado dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda. Ele
afirmou que uma das táticas do governo Lula é direcionar alguns programas já existentes
para diminuir a prostituição infantil no País. "Podemos, em conjunto com o Ministério
da Educação, voltar o Bolsa-Escola também para manter as crianças nas salas de aula,
deixando o risco de serem recrutadas na prostituição infantil", explicou o secretário.
Conheça algumas das propostas do governo para o enfrentamento à exploração sexual
de crianças e adolescentes
- Concentrar parte dos recursos dos programas Bolsa-Escola e do Programa de Erradicação
do Trabalho Infantil (Peti) para o atendimento às crianças vítimas da exploração
sexual e suas famílias;
- Mobilizar os meios de comunicação para que participem ativamente na campanha de
conscientização da população sobre o tema;
- O Ministério do Trabalho colocou a estrutura das delegacias regionais do trabalho
(DRTs) à disposição para ajudar na fiscalização de estabelecimentos onde ocorre
a exploração sexual de crianças e adolescentes. A idéia é começar no Carnaval e
manter o trabalho conjunto permanentemente;
- O programa Sentinela - um conjunto de ações da assistência social, desenvolvido
em municípios brasileiros, destinado ao atendimento de crianças e adolescentes vitimados
pela violência - está à disposição para se integrar ao esforço conjunto do governo.
A ministra da Assistência e Promoção Social propôs repensar os outros programas
da secretaria para oferecer maior apoio às famílias mais excluídas e, assim, evitar
que meninos e meninas sejam obrigados a usar o corpo para ganhar dinheiro;
- Usar as estatísticas sobre as rotas da exploração sexual e outras informações da
sociedade civil na montagem de um banco de dados nacional sobre o tema;
- Incorporar aos planos estaduais de segurança pública medidas de combate à exploração
sexual. Cada Estado tem um prazo para apresentar seu plano à Secretaria Nacional,
vinculada ao Ministério da Justiça;
- Criar um núcleo dentro da Polícia Federal para trabalhar exclusivamente com a questão
da exploração sexual infanto-juvenil. A idéia é aumentar a eficácia das ações;
- A Embratur distribuirá cartilhas com o código de conduta do turismo. Panfletos,
filipetas e vídeos servirão de material de divulgação para conscientizar a população
local e os turistas. As cidades de Recife, Fortaleza, Salvador, Manaus, Belém, Natal
e Rio de Janeiro concentrarão a ação no Carnaval. Fonte: Unicef Brasil
Congresso Nacional
Embalado pelo executivo, o Congresso Nacional resolveu também mover esforços visando
o combate do problema. Foi instaurada, em maio de 2003, na Câmara dos Deputados,
uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a exploração e a prostituição
infanto-juvenil. A CPI, que ainda se encontra em andamento, ainda não extraiu muitas
conclusões sobre a questão. Segundo discurso de sua presidente lido no plenário,
"a exploração e a prostituição de crianças e de adolescentes no Brasil estão nitidamente
vinculadas à desagregação familiar e são frutos da miséria e da fome". Sabe-se também
que os índices de exploração sexual de crianças e prostituição infantil são mais
altos nas regiões Norte e Nordeste do País. A explicação, segundo a deputada, reside
no fato de que os Estados dessas regiões são mais visitados por estrangeiros.
Turismo Sexual
Organizações Não-Governamentais (ONGs) que se dedicam à proteção da criança e do
adolescente denunciam que o Brasil é um dos principais países do globo para onde
se destinam anualmente milhares de turistas sexuais. Eles vêm em busca de sexo em
troca de dólares e não se preocupam por irem para a cama com crianças. Capitais
dos Estados do Nordeste, como Recife, Fortaleza, São Luís e Natal são as campeãs
em receber turistas sexuais, sendo que a maioria esmagadora é composta por estrangeiros.
A Embratur e as prefeituras dessas cidades estão tomando iniciativas para combater
o problema. As ações, por enquanto, se restringem a campanhas preventivas, alertando
os turistas através de panfletos e cartazes espalhados pelos principais pontos turísticos,
hotéis e restaurantes, sobre as penas previstas na legislação brasileira para quem
comete atos do gênero. Campanhas publicitárias vinculadas pela Embratur em outros
países agora também vão passar a conter alerta aos turistas sobre a questão.
Disque-Denúncia
A Secretaria Especial dos Direitos Humanos e dos Ministérios da Saúde e Turismo
criaram no dia 18 de maio de 2003 uma central de atendimento telefônico especialmente
para ajudar a combater a violência e o turismo sexual infanto-juvenil. O telefone
do Disque-Denúncia que vem sendo divulgado nos principais pontos das principais
cidades turísticas e capitais brasileiras é o 0800-990-500.